Dalva destaca diversidade da população indígena amapaense PDF Imprimir E-mail
Ter, 02 de Março de 2010 18:07

             O município de Oiapoque integra de forma relevante a história do Brasil. Além do episódio do território Contestado Franco-Brasileiro, o município encerra ainda outros eventos que se projetam no cenário nacional. Sua área está totalmente inserida dentro da faixa de fronteira do país, abriga dois Parques Nacionais e é em tese o único município brasileiro – pelo menos sob o ponto de vista físico a ter contato direto com a União Européia.

            É sob estas múltiplas paisagens institucionais que se agrega a presença histórica de povos indígenas no Oiapoque. Atualmente o município protege quatro etnias indígenas numa área de 519.654 hectares: os Galibi Marworno, os Palikur, os Karipuna e os Galibi do Oiapoque. A literatura científica disponível registra a presença destes povos em diferentes épocas, como resultados de processos migratórios, fusões étnicas e alianças.

Deputada acompanhada de lideranças indígenas do Oiapoque durante visita técnica às aldeias do município.

 

Os povos indígenas que habitam o Oiapoque têm uma longa tradição de luta para manter sua autodeterminação nas questões relacionadas aos seus assuntos internos e locais. A homologação de suas terras ocorreu no início das décadas de 1980 e 1990 do século passado o que demonstra uma forte capacidade política pela afirmação de suas instituições políticas, sociais e defesa das tradições e costumes culturais.

Nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2010, estivemos em Oiapoque para discutir questões que afetam seu desenvolvimento, e principalmente, acompanhar o processo de execução de emendas de nosso mandato. Foram encontros produtivos e maduros com autoridades e lideranças indígenas, o prefeito municipal, pescadores, professores, agricultores, técnicos da FUNAI, FUNASA, MDA e RURAP. No total, até o momento o município será beneficiado com R$ 3.100.000,00 (três milhões e cem mil reais) que atendem demandas de áreas como educação, infra-estrutura em territórios rurais, revitalização de praça, projetos nas Aldeias do Manga e Kumarumã, ao Museu dos Povos Indígenas (KUAHÍ) e para a construção do Centro de Apoio a Formação Indígena do Oiapoque.

Somente para a construção deste Centro, destinamos R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) em recursos que já foram liberados e encontram-se disponíveis na conta da FUNAI Brasília. O Centro terá como finalidade propiciar capacitação aos jovens e lideranças indígenas em diferentes temas e também para a realização de cursos complementares aos que cursam nível superior.

Queremos destacar também, a emenda para aquisição de equipamentos e construção da Casa de Farinha da Aldeia do Manga. No valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), cuja obra tem inicio previsto para o mês de março. Terá importância para o desenvolvimento sócio-econômico da comunidade indígena e do Oiapoque. O projeto seguirá protótipo que privilegia a utilização de tecnologias modernas, com agregação de valor a produção. A Casa de Farinha será equipada segundo o modelo de agroindústria, instalada dentro dos padrões exigidos pelas autoridades sanitárias; facilitará a inserção competitiva do produto no mercado e assegurará a ampliação da renda familiar local.

Acreditamos que tais iniciativas, contribuem para a construção de projetos que reconheçam nos indígenas que habitam o Amapá e o Oiapoque, a afirmação de que todos os povos contribuem para a diversidade, o desenvolvimento e a riqueza das civilizações e culturas.

 



*Pedagoga e Deputada Federal pelo Partido dos Trabalhadores – PT/AP.
Última atualização em Ter, 09 de Março de 2010 10:41